Avisos e Devocionais

DESACELERE
15-04-2018
DESACELERE

Lembro-me que quando eu tinha 13 anos, meus pais me
levaram a um parque de diversões. Eu tinha sede de aventura e
gostava de andar nos brinquedos mais perigosos que a minha
idade permitia. Então, pedi a minha mãe para ir em uma das montanas
russas daquele parque. A montanha russa era muito grande
e muito veloz - a particularidade daquele brinquedo é que andávamos
com os pés soltos - o que fazia a experiência ser ainda mais
eletrizante. Meu pai foi comigo e quando terminamos a aventura
ele perguntou: “e aí como foi a experiência?” Eu disse: “Não sei,
não me lembro de nada. Estava tão rápido que não vi nada”.
É bem verdade que a velocidade nos traz algumas boas
sensações: Adrenalina, sensação de poder, de controle, no entanto,
os riscos da velocidade são muito maiores que suas boas sensações.
Meu pai dizia que “quem tem pressa, come cru”. O que
ele queria dizer é que a pressa nos impede de experimentar alguns
sabores importantes e até mesmo essenciais. Dentro de um
carro em alta velocidade, os postes passam como vultos, as imagens
são distorcidas, a contemplação é prejudicada. Não raro,
quando dirigimos ao lado de uma bela praia, diminuímos a velocidade
para contemplar mais, para deixar que nossas mentes fotografem
cada detalhe.
Já observou o quanto que as pessoas estão correndo
hoje? Frenéticas, desenfreadas, buscando seus objetivos. Parece
que acordamos pela manhã ouvindo a voz do nosso chefe dizendo:
“Rápido! Precisamos terminar isso logo”. Ou ouvindo nossa
mãe dizendo: “Levanta rápido que já está na hora”. Fazemos um
monte de coisas ao mesmo tempo. Atendemos o telefone, escrevemos
no computador, desenhamos o projeto e respondemos ao
colega de trabalho – tudo ao mesmo tempo. Daí a sensação de
que 24 horas não dá para nada. A semana voa. O ano voa! Então,
afirmamos: “o tempo hoje passa mais rápido do que quando éramos
mais novos, que estranho!”. Estamos vivemos no mundo do
“fast food”. Queremos tudo agora! E isso é tão verdade que se a
página do facebook demorar alguns segundos a mais para abrir, já
xingamos e dizemos: “essa internet é uma porcaria, vou trocar de
operadora”! Não é à toa que os ansiolíticos são dos remédios mais
vendidos no mundo. Por isso, a ansiedade é o mal do século.
Claro que tudo isso tem consequências graves. Não só consequências
que nos atingem, mas que também atingem quem está
perto de nós. Nessa corrida desenfreada, esquecemos de nós
mesmos e de quem mais amamos. A velocidade nos adoece, não
só por causa do problema da ansiedade, mas porque não temos
tempo de nos abastecer do que mais precisamos: bons alimentos,
ternos afetos, estudos, lazer, descanso e espiritualidade. Além
disso, nossa velocidade nos impede de enxergar direito quem
mais amamos, as imagens ficam tão distorcidas que não conseguimos
perceber uma esposa que pede atenção ou um filho que
pede socorro. Então, quando o casamento acaba, as respostas
são: “Mas eu fazia tudo! Não faltava nada lá em casa” – faltava
seu sorriso e seu olhar. Quando se descobre que um filho está nas
drogas ou depressivo: “Como isso foi acontecer? Eu não tinha
percebido nada!”.
Será que você está vivendo assim? Será que essas consequências
já chegaram até você? Será que você ainda não percebeu
que, de repente, está correndo atrás do vento? A boa notí-
cia é que Jesus morreu por isso e que nunca é tarde para recome-
çar.
Você precisa DESACELERAR!
Sabedoria, sensibilidade e equilíbrio são as chaves para
desacelerar. Sabedoria é o temor do Senhor que nos relembra
seus princípios, prioridades e ordens. Sensibilidade para perceber
os gritos do nosso próprio corpo e de quem amamos. Equilíbrio
para entender que há tempo para todas as coisas debaixo do sol
(há tempo de correr e de desacelerar) e para nos forçar a colocar
os pés no chão - não somos “a última bolacha do pacote”, não
somos “Messias”, o mundo vai continuar sem nós, as empresas
sobreviverão sem nós, nem sempre o “urgente” é “urgente” e nem
só de adrenalina viverá o homem.
Desacelere e volte a enxergar, contemplar, a ouvir, a
sentir. Desacelere e recobre seus sentidos. Desacelere e recupere
o tempo perdido. Desacelere e salve a você mesmo e sua família.
Desacelere e ouça a voz de Deus. Lembre-se: Elias só conseguiu
ouvir a voz de Deus quando estava depressivo e, então, parou -
Ali voltou a ouvir a voz de Deus. Moisés parava tudo, subia ao
monte e orava – então, se encontrava com Deus. Raramente
ouviremos a voz de Deus correndo. Pense nisso e desacelere!
Que Deus nos abençoe.

Do seu pastor e servo de Cristo,
Pr. Segundo Almeida