Avisos e Devocionais

APOSENTANDO AS MÁSCARAS
29-10-2017
APOSENTANDO AS MÁSCARAS

Uma palavra frequentemente usada para criticar
(e muitas vezes descrever) o cristão é “hipócrita”. É uma
palavra pesada, especialmente quando usada para nos
descrever. Interessante que Jesus usou com frequência
essa palavra para atacar a falsa religiosidade da liderança
de Israel (geralmente fariseus e escribas).
Há diversas razões pelas quais você e eu
deveríamos nos resguardar, com cuidado pessoal e
coletivo, dessa atitude de fingir ser o que realmente não
somos (a palavra era usada em grego extrabíblico para
descrever os atores das tragédias e comédias gregas, que
usavam máscaras para representar seus papéis). Por
isso, gostaria de destacar apenas três razões, senão
vejamos:
Em 1 Samuel 16.7 lemos uma das verdades mais
importantes da Bíblia. “Deus não vê como os seres
humanos”. Nós vemos apenas o exterior, mas Deus
enxerga o mais interior das pessoas – o que a Bíblia
chama de coração (atitudes, vontade e motivações). No
contexto desse texto, Samuel escolhe um Rei por causa
da sua beleza física e status. Quantas vezes fazemos o
mesmo, olhando, se não para a altura, para o tamanho da
casa ou da conta bancária, para o título universitário, ou
mesmo para a visibilidade na igreja. O falecido Howard
Hendricks dizia que é possível impressionar de longe, mas
só é possível impactar de perto (o que exige
transparência, não máscara).
Como que refletindo o conceito de 1Samuel 16.7,
o apóstolo João descreve Jesus de maneira notável em
João 2.23-25. Algumas pessoas haviam crido em Jesus
por causa dos milagres que fizera em Jerusalém. Elas
queriam as bênçãos de Cristo, mas não queriam as
responsabilidades de seguí-lo. Em verdade, Jesus não
precisava, e não precisa, de testemunhos externos;
conhece nossas atitudes, vontade e motivações (=
coração). Assim, ele vê por trás da conversa piedosa de
Nicodemos um coração autossuficiente que confiava em
sua condição de judeu e especialista na Lei para
conseguir uma vaga no reino. Ignorando a suposta
admiração de Nicodemos por ele como “Mestre vindo da
parte de Deus”, Jesus ataca diretamente o problema: “se
você não nascer por meio do Espírito (vento, água) não
entrará no reino”. A máscara do conhecimento cai diante
do olhar penetrante do Mestre.
O mesmo acontece com a mulher samaritana.
Uma conversa religiosa escondia um coração vazio e uma
cama cheia dos maridos de outras mulheres. A
confrontação de Jesus (“Vai, chama teu marido e volta”)
reduz a religiosidade à sua condição inútil como resposta
ao vazio do coração humano. A questão não é você
procurar Deus, mas deixar-se transformar por Ele no tipo
de pessoa que Ele procura (Jo 4.24).
A comunidade dos seguidores de Jesus precisa se
convencer de que Ele nos vê exatamente como somos e,
por isso, devemos aposentar nossas máscaras. Não
somos perfeitos e não podemos viver de performance
(como os “hipócritas” das tragédias gregas). Por isso,
precisamos de um guia seguro para progredirmos em
relação à transparência.
Onde encontrar isso? Ainda bem que você
perguntou! Leia Hebreus 4.12-13. O primeiro verso nos
lembra que o meio de avaliarmos nossas ações e atitudes
não são os manuais de sucesso disponíveis aos montes
nas prateleiras das livrarias por aí. Aposentamos as
máscaras e crescemos em transparência lendo a Bíblia e
meditando nela, permitindo que o Espírito nos persuada e
corrija. O outro lado dessa moeda é Hebreus 4.13 – “todas
as coisas estão descobertas e patentes aos olhos dAquele
a Quem temos de prestar contas”. Não adianta. Para
Deus, seremos sempre transparentes.
É um desafio e tanto, mas não podemos ignorá-
lo. Pense nisso! Que a nossa igreja seja conhecida como
uma comunidade focada em aposentar as máscaras.

Que Deus nos abençoe.
Do seu pastor e servo de Cristo,
Pr. Segundo Almeida